Artigo:
Perdemos uma grande brasileira
Foi um baque. Logo pela manhã, buscando informações sobre o terremoto no Haiti, assustei-me com uma das primeiras manchetes: “Tremor de terra no Haiti mata Zilda Arns”. Como costumamos dizer em situações assim, a ficha demorou a cair. Visitei mais alguns sites atrás de informação completa, esperando que a notícia não se confirmasse. O que não aconteceu.
Entre os brasileiros mortos no país caribenho está uma daquelas pessoas que fazem a diferença. Com trajetória dedicada às crianças, Zilda é quase sinônimo de Pastoral da Criança. Sua luta incansável em nome desses milhões de pequenos brasileiros que estão à mercê da fome, do abandono e da violência é algo que comove facilmente. Cidadãos que já nascem sem esperança no horizonte perdem um de seus principais pontos de apoio. Zilda deixará inúmeros órfãos.
Fiquei mais comovido com a notícia porque me recordo de uma passagem que tive com ela em 2006. Durante a cobertura de uma manifestação em Brasília, para a qual a AEA mandou comitiva, acompanhei nosso então presidente, Geraldo Adão Santos, em uma reunião no Ministério da Saúde. Ao lado do ministro e de outras autoridades, estava Zilda Arns. Com um jeito muito simples de ser, ela fez questão de cumprimentar a todos os presentes. Ao me cumprimentar com um aperto de mão, transmitiu-me uma sensação muito grande de conforto. Aquela paz de espírito peculiar às pessoas do bem. Apesar de rápido, esse encontro foi muito marcante.
Por toda sua trajetória, não tenho dúvidas de que um dos melhores lugares ao lado de Deus está reservado para essa grande brasileira.
Quanto ao Haiti, não dá para entender como um povo pode sofrer tanto. Não bastasse tudo o que acomete aquela gente, eles ainda convivem com um terremoto de tamanha proporção, capaz de fazer estrago em países altamente preparados para isso, como o Japão. Calcule a catástrofe em um lugar que não tem quase nada. Como bem disse um amigo meu: “O Haiti acaba de perder o pouco que tinha”.
Por Orozimbo Souza Júnior
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