Artigo:
Só falta a CPI do “pum” debaixo do cobertor
Por Orozimbo Souza Júnior
Entra ano, sai ano, e nada de nossa “politicada” mudar. Prometo falar sobre esse assunto pela última vez. É perda de tempo acreditar que algo vá acontecer, é dar murro e ponta de faca e bater a cara contra o muro esperar mudanças nos nossos representantes, salvo as raras e bravias exceções. Diante dos inúmeros problemas que assolam o país, o que deveria ser momento para discussões sérias torna-se palanque político.
Foi assim um sem número de vezes ao longo da história. Este 2009, especificamente, está se superando. Passamos e estamos passando por situações das mais complexas e preocupantes: crise financeira mundial, gripe A (ou suína, como queiram) e outras tantas. Mas não vimos debates sérios sobre nenhum dos temas. Ao contrário, resolveram politizar todas as situações, buscando culpados e não possíveis soluções para casos que foram pintados como caóticos. Isso porque não temos parlamentares sérios, nem uma oposição no nível que o país precisa. Lamentável é pouco para descrever tal aberração.
O último soco no fígado do brasileiro emerge a partir de burburinho vindo das bandas de Brasília. Depois do apagão de Itaipu, o que parece estar apagado é o senso de ridículo dos politiqueiros de carreira. Muito antes de se descobrir o que de fato deixou 18 Estados sem energia por mais de quatro horas, já surgiram os defensores das famigeradas CPI’s, aquelas comissões inúteis, que não servem para nada além de dar espaço a políticos metidos a valentões. Os que adoram aparecer no vídeo com o dedo em riste.
Não há dúvidas de que o blecaute é preocupante, de que causou prejuízos e precisa ser mais bem explicado. Afinal, estamos vivendo crise no setor elétrico? Corremos risco de mais situações como a desta semana? A resposta para essas e outras questões pode ser traduzida como um “que se dane, queremos é achar os culpados”. Abram alas para mais uma Comissão Parlamentar de Inquérito. Sim, a oposição já fala em “CPI do Apagão”. Cômico, se não fosse trágico.
A “politicada” deveria se concentrar nas reformas de que o país precisa: política, tributária, Judiciário, etc. Mas não! o negócio é fazer circo, e o povo que se lixe. Nos últimos dias, manobras políticas golpearam mais uma vez os aposentados, que estavam na ânsia por um pequeno gesto, um mísero reajuste para compensar todas as perdas acumuladas em especial nas últimas duas, três décadas. Ficaram a ver navios vários aposentados que, cumprindo seu papel de cidadãos, pressionaram os políticos na capital federal. Tudo em vão.
Certas ações não dão visibilidade. O que os parlamentares vão ganhar votando em favor dos aposentados? Ano que vem é ano de eleição, é momento para eles começarem a aparecer em sua busca frenética pelo voto dos incautos. No momento, é muito melhor fazer circo e ameaças do que trabalhar de verdade, não é mesmo? Com isso, qualquer situação, por mais insignificante que seja, deve ser observada à luz dos holofotes. De onde é possível tirar uma crise para aparecer? Vamos atrás dos motivos para criar as mais injustificadas comissões de inquérito: “pum” soltado debaixo do cobertor, dentro do elevador, espirro sem o devido pedido de desculpas...
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