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Artigo: Arthur Virgílio não é meu herói
Muito antes pelo contrário. É impressionante como paladinos da moral e dos bons princípios emergem neste país. Em especial, nos momentos de crise, surgem as flores sobre o lodo. Pasmem: durante o famigerado escândalo do mensalão, houve quem venerasse Roberto Jéferson, sem sequer procurar saber sobre o passado daquele cidadão.
Atolado em mais uma de suas infindáveis crises, o Senado Federal tem sido a Gotham City de um novo super-herói: Arthur Virgílio (PSDB-AM). A cada nova denúncia contra José Sarney e grande elenco, o amazonense é escalado pela mídia para opinar. A partir daí, qualquer fala do tucano ganha as primeiras páginas dos jornais e amplo destaque em todo o noticiário. Mas, afinal, quem é Arthur Virgílio?
Os incautos talvez não saibam, mas o líder do PSDB no Senado, transformado em esperança da nação pela imprensa preguiçosa e superficial, não tem a perfeição que se espera de um super-herói. Ele foi denunciado por ter mantido durante 18 meses o pagamento de um servidor de seu gabinete que estava estudando na Espanha. O senador se comprometeu a devolver os R$ 210 mil aos cofres da Casa como ressarcimento às despesas do assessor. É nobre reconhecer um erro, né não? Mas será que se as denúncias não eclodissem ele faria o mesmo? É questionável, pois Virgílio teve longos 18 meses para refletir sobre a questão, e continuou permitindo o pagamento desse salário incrível.
Contra Virgílio ainda pesam a suspeita de estourar a verba para despesa com saúde no tratamento de sua mãe, além de outra insinuação de que ele pagou com dinheiro público os valorosos serviços de personal trainer. Em 2004, seu filho, Arthur Virgílio
do Carmo Ribeiro Bisneto, foi preso em flagrante, em Fortaleza, por desacato à autoridade e atentado ao pudor. Certa feita, Arthur Virgílio pai disse que daria uma surra no presidente Lula. Já que o amazonense é adepto da prática do corretivo, poderia começar dentro de sua própria casa.
Por essas outras, Arthur Virgílio não é um super-herói. Não mesmo! Ele apenas se aproveita de uma situação para tentar se promover. Caso a mídia tivesse interesse, poderia esmiuçar a vida do paladino.
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