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PPP nos presídios: bom investimento para quem?
Por Rodrigo Rodrigues, jornalista
“Se não fosse o crime, muita gente morria de fome / O vagabundo é quem garante o pagamento dos homens / Porque um preso dá vários empregos, você pode acreditar / É um policia pra prender / Um delegado pra autuar / Um promotor pra fazer a ‘caveira’ / Um juiz pra condenar / Um carcereiro pra tomar conta / E um advogado pra soltar”. O trecho da música “Cabide de Emprego”, do sambista carioca Dicró, deve ter sido a inspiração do governo de Minas Gerais para a assinatura do contrato que vai viabilizar a construção do primeiro complexo penitenciário do país, implantado por meio de Parceria Público-Privada (PPP).
A unidade será construída em Ribeirão das Neves, pelo consórcio Gestores Prisionais Associados (GPA), que pretende concluir a obra em 30 meses. Estima-se que a obra gere 1.500 empregos diretos e indiretos.
Para a criação e manutenção das 3.040 novas vagas do sistema prisional mineiro, serão investidos R$ 190 milhões, “sem custos para o Estado”, conforme ressalta matéria publicada no jornal “Minas Gerais” - o diário oficial mineiro – em sua edição do dia 17/6. Em troca, as cinco empresas que compõem o consórcio - CCI – Construções S/A, Construtora Augusto Velloso S/A, Empresa Tejofran de Saneamento e Serviços, N.F Motta Construções e Comércio e o Instituto Nacional de Administração Prisional (INAP) – terão 27 anos para explorar o negócio.
Logo na seqüência, no entanto, o texto informa que “a construção, manutenção e a operação do complexo em todas as suas unidades terão um custo diário aos cofres do Estado de R$ 74,63 por vaga ocupada, valor abaixo do teto previsto no edital de licitação”. Mas não seria “sem custos para o Estado”? Sei lá.
Quando o empreendimento estiver com todas as suas vagas preenchidas, essa irrisória quantia resultará em um “investimento” mensal de R$ 2.238,90 por detento, para que “o consórcio realize atividades educativas e de formação profissional, forneça refeições, tratamento de saúde, atendimento psicológico e assistência jurídica aos presos”.
Ao final de cada mês, considerando-se mais uma vez as 3.040 vagas ocupadas, o Estado terá “investido” no negócio parcos R$ 6,8 milhões. De quebra, o Estado ofertará aos cidadãos que estão sob sua tutela, “atividades educativas, artísticas e culturais, além de cursos profissionalizantes com o objetivo de criar mão-de-obra especializada e adequada para o mercado de trabalho”.
Além disso, “os presos que cumprirem pena em regime semi-aberto terão oportunidades de empregos fora da prisão, pois o consórcio GPA oferecerá assistência profissional aos sentenciados em parceria com empresas locais”.
Mas, para ter direito aos R$ 6,8 milhões/mês, o grupo de investidores passará pelo crivo do Governo do Estado, que vai avaliar a qualidade do serviço prestado como condições exigidas para o pagamento integral à concessionária. Nesse quesito estão incluídas, entre outras obrigações, segurança e ressocialização dos presos.
“Estamos fazendo mais uma vez história em Minas Gerais. Conseguimos, depois de três anos de muito trabalho, com pesquisas fora do Brasil, construir o mais bem acabado projeto de Parceria Público-Privada do setor penitenciário já iniciado no Brasil”, declarou o governador Aécio Neves, ao diário “Minas Gerais”.
Com tantos benefícios propostos, acredito que a corrida dos interessados em ocupar uma das 3.040 vagas do “paraíso” já tenha começado. Em relação ao aspecto econômico, imagino que o investimento em presídios tão bem estruturados e rentáveis como esse deve ser o grande filão da próxima década. Afinal, o retorno é garantido, pois “se não fosse o crime, muita gente morria de fome”.
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