Artigo:
O Surreal Atleticano
Jornalismo AEA-MG
Não gosto de usar clichês, como a expressão “surrealismo”, para traduzir situações que fogem à normalidade e beiram o absurdo. Mas também não posso dizer que “há coisas que só acontecem ao Atlético”. Além de ser lugar comum também, os botafoguenses, no Rio, e os americanos, em Minas, reivindicam para si essa definição de fatos extraordinários que acometem seus clubes. Assim, vamos de surreal mesmo, para falar da realidade atleticana.
Está certo que é muito cedo para projetar o futuro do Galo em 2009. Dizer que o time vai fracassar pode soar como pessimismo exacerbado, uma pretensa tentativa de adivinhação. Afinal, a equipe de Leão só jogou quatro partidas no ano, está se acertando. Mas já vi enredo parecido antes. Conheço trilhas iguais que não levam a lugar nenhum.
Não falo só da escassez de bons jogadores, de grupo reduzido em talentos e pouca quantidade de peças de reposição. Tristes repetições na história recente do alvinegro. Me preocupada tanto quanto o comportamento dos auto-intitulados “cronistas esportivos”. Aqueles mesmos, os famosos formadores de opinião de meia pataca, que, no estilo ameno da casa mineira, preferem não correr o risco de criar indisposição com jogadores, atletas e dirigentes, acabando por vendar os olhos do torcedor.
Vou exemplificar meu pensamento: quando foram anunciados os primeiros reforços do Galo para a temporada, o surrealismo entrou em campo. Cronistas disseram coisas assim: “Lopes é um grande jogador”; “Diego Tardelli é craque” e, para meu maior espanto, nossos formadores de opinião disseram que Tiago Feltri e Éder Luís, velhos conhecidos da torcida, “são reforços”.
Lopes, além de nunca ter demonstrado grande preocupação com sua carreira, jamais passou de ser mediano. Tardelli é bom jogador, destaca-se em meio à mediocridade do futebol brasileiro. Mas nunca foi craque. Até porque, se fosse, não estaria no Brasil, não é? Quanto aos egressos Éder Luís e Feltri, prefiro não comentar.
É certo que o Atlético vive dificuldades financeiras intermináveis, e que o time é reflexo disso. Sou simpático à atuação de Alexandre Kalil, Bebeto de Freitas e Leão. Acho que o Clube está em boas mãos. Mas vamos parar de ludibriar a sofrida massa atleticana. Parar de dizer que o time tem condições de conquistar títulos e que não deixa nada a deseja ao Corinthians, por exemplo, como disse outro dia um desses cronistas, cujo nome é melhor não citar, mas que também é conhecido como “jornalista futriqueiro”.
O Galo não precisa de pessoas para apedrejá-lo, nem de indivíduos sem postura crítica, que ajudam a eternizar o calvário da torcida. Vamos colocar o time em seu lugar, sem enganar os apaixonados torcedores. Continuemos a apoiar, pois os mandatários do Clube transmitem honestidade e boas intenções. Contudo, creio, o trabalho que fazem é de estruturação. Falar em resultados imediatos pode colocar tudo a perder com possíveis fracassos.
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