Artigo:
Guerra é um bom negócio?
Milton Pinto de Andrade
Recentemente, fui a um seminário no Colégio Batista Mineiro, acompanhando meu filho Flávio, que cursa a oitava série do primeiro grau. O trabalho desenvolvido pelos alunos interrogava se a “guerra é um bom negócio”.
Primeiramente, tivemos oportunidade de ouvir um professor da UFMG falar sobre os horrores vividos. Nascido na Grécia, perdeu todos os membros de sua família. Ele, a mãe e dois irmãos tiveram muita sorte em conseguir fugir do país. As palavras proferidas pelo professor foram emocionantes. Também ouvimos de outros professores o que a guerra é capaz de fazer.
Os alunos foram divididos em várias equipes. Cada equipe dissertava sobre o assunto.
A guerra acabou com milhões de judeus. Destruiu famílias inteiras. Foram milhões de vidas perdidas. Mortes prematuras. A guerra trouxe conseqüências horríveis para a humanidade. Trouxe traumas psicológicos irreparáveis.
Por outro lado, vimos também que a guerra trouxe benfeitorias para o mundo. Novas tecnologias foram desenvolvidas, a medicina e a engenharia foram melhoradas e conseqüentemente ampliadas. Doenças foram diagnosticadas e curadas. Novas vacinas foram desenvolvidas.
Alguns países tornaram-se ricos e poderosos. Aviões desenvolvidos com maior tecnologia e rapidez. As armas tornaram-se mais potentes e letais (se é que consideramos tecnologias). Os pólos de trabalhos foram melhorados. Novos postos de trabalho surgiram. A era atômica estava despertada. Surgia a corrida armamentista e espacial.
Assim, no decorrer do seminário pude ver que existe uma guerra diferente. Aquela que é a guerra da fome, a guerra que existe dentro de casa entre pais e filhos. A guerra da droga, tão disseminada entre os nossos jovens. Existe a guerra da violência e do vício.
Existe ainda aquela guerra que está dentro de nós. São as doenças, angústias e tristezas. A guerra entre quadrilhas de traficantes, a guerra do medo, a guerra da traição, a guerra da competição desonesta e a guerra do desemprego. Vi também que a pior guerra é a falta de amor ao próximo e a falta de Deus.
Milton Pinto de Andrade é Presidente da AEA-MG
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