Artigo:
O encanto pela vida
Milton Pinto de Andrade
Posso dizer que não vibro muito com futebol, entretanto, assisti a quase todas as partidas do Brasil (completas) na Copa do Mundo. Algumas vezes, não ficava de frente para a TV o tempo todo, mas nas principais jogadas estava de “olho” na televisão. O futebol mexe mesmo com a gente.
Até o início da Copa, aproximadamente há 50 dias, o Brasil era o melhor do mundo. A qualquer um que se perguntasse, o nosso time seria o campeão. Os nossos jogadores eram os melhores e tínhamos tudo para ser hexa-campeões.
Em qualquer meio, em qualquer rodinha de conversa e em lugares de apostas, não dava outra: o Brasil sempre era o melhor e tudo apontava a Seleção Canarinho como a melhor das 32 que disputariam o torneio. O hexa já era nosso.
Para chegar a Alemanha, sede da Copa, os times passaram por uma rigorosa classificação. São as melhores seleções do mundo. São os melhores jogadores do planeta. E os técnicos também são os melhores. Ser campeão do mundo não é fácil. Tem que estar muito entrosado, bem treinado, com bom preparo físico, espiritual e emocional e, acima de tudo, com muita vontade de ganhar, além de outras coisas mais.
O Brasil foi desclassificado nas quartas de final, após perder para a França. A partir daí, tudo desmoronou. A nossa seleção passou a ser a pior das 32 competidoras, os nossos jogadores não se esforçaram e entregaram o jogo para os adversários. Como dizem as más línguas, tremeram em campo.
E o técnico Parreira? Esse não entende nada de futebol, escalou o pior time e não queremos saber dele como comandante do escrete brasileiro.
Assim, depois de falar sobre a nossa seleção, gostaria de fazer um paralelo do futebol com a nossa vida cotidiana.
Por que de repente a nossa opinião, a respeito da seleção, mudou radicalmente? O que nos fez mudar de idéia, comportamento e opinião? Respondo. Porque acabou o encanto da seleção.
Tudo na vida é assim. Tudo é semelhante. O encanto com nossas esposas e esposos, com nossos filhos, com nossos amigos. Precisamos cativar as pessoas. Não podemos nos desencantar da vida. Quando isso acaba, com ele vai todo o nosso entusiasmo, nossa energia, disposição e confiança. Esse encantamento movimenta a vida, nos aproxima das pessoas, de tal forma, que somos envolvidos pela alegria e pelo prazer. Tudo isso nos dá auto-estima e nos torna felizes.
Antes da desclassificação, foram dias de muita alegria que todos nós passamos com a seleção, e o nosso prazer era tanto, que não sentíamos os dias passarem. Precisamos viver com mais alegria e ser menos rigorosos com os nossos semelhantes. É como se estivéssemos assistindo a um jogo da seleção diariamente, transmitindo esse encanto que é a vida.
Milton Pinto de Andrade é Presidente da AEA-MG
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